A Redenção de Hermes

A civilização em que estamos se baseia em três pilares: o pensamento grego, o direito romano e a fé cristã — este último sendo a única parte verdadeiramente importante que o judaísmo passou para o mundo. Sendo o pensamento grego a filosofia, é natural que absorvamos algumas de suas características, e no comércio é possível identificar o traço da Virtude que paira esta profissão. Seu nome é Hermes, patrono dos mensageiros, viajantes, diplomatas, comerciantes e ladrões. Em suma, todas as artes de linguagem e discurso, das habilidades de transpor barreiras e ir além. Neste sentido, é a mais perfeita representação do comércio no mundo, principalmente no momento atual em que se valoriza a agilidade nos processos de negociação, transação e aquisição de bens e serviços, pode ser verificado também no símbolo mais comum atribuído Hermes, o capacete alado.

Esta virtude não mede esforços em otimizar seus processos por isso é uma figura conhecida pela sua malícia e ambiguidade. O mensageiro pode divulgar falsas notícias; viajantes com destino ou sem rumo e diplomatas podem julgar de maneira arbitrária para benefício próprio; ladrões, sem muitas novidades, roubam. Já os comerciantes podem acumular simultaneamente todos estas características para elevar suas riquezas ao custo dos outros de forma nociva e predatória, fazendo assim que algumas linhas de pensamento tenham a pretensão de extingui-la por acreditarem que isso faz parte de sua natureza. Outros preferem modificá-la e sufocá-la para que a Virtude seja submetida plenamente às mãos da Usura. Sendo assim, o único caminho para escapar do aniquilamento é a redenção.

A pergunta que fica é: é possível redimir Hermes? É possível moralizar a atividade comercial? E a resposta é sim! A classe comercial se salvará a medida que troque a mentalidade, que no momento está permeada pela ideologia que atrai toda sorte de gente. O lucro pelo lucro, um ideal aventureiro que é imperceptivelmente uma escravidão pela ganância, que frustra em grande medida os que não o realizam plenamente assim com os que realizam em algum momento se submeteram a práticas iníquas, por pragmatismo ou por necessidade. Agora em um ideal pioneiro de vocação, o lucro é uma consequência do senso de propósito, não praticar a profissão apenas desejando a riqueza mas descobrindo nela seu verdadeiro chamado e aprimorando seu autêntico potencial tornando assim o fardo de cada dia mais suave e brando mesmo em momento difíceis. Assim, a redenção de Hermes não vem de forma materialista pela conquista das técnicas mas dá mudança mais profundo no espírito e mente da profissão.

Matheus Lima

Tesoureiro Nacional Nova Acção

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