No desenrolar das últimas semanas, o mundo pôde observar através das últimas notícias da guerra no front israelense, a conduta dos soldados do IDF e suas operações de guerra, assim como os últimos posicionamentos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Estado de Israel e Vaticano.
Se aqui, no Brasil, a política desde a esfera municipal até a federal é interpretada e exercida pelo imperativo das paixões políticas e interesses imediatos, por qual motivo a crise diplomática entre EUA e o Vaticano, e a guerra entre Israel e Irã, não seriam interpretados da mesma maneira? Esquerdas e direitas sustentam suas verdades e seus pontos de vista, por muitas vezes distorcendo de forma cínica a realidade do conflito e das relações internacionais.
Diante do caos e destruição da guerra uma voz se ergue buscando a conscientização, o apaziguamento e o fim das hostilidades. Essa voz se ergue da Santa Sé, do Vaticano. As palavras de paz e conciliação vem do Sucessor de Pedro e Representante de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra. É a voz do Papa Leão XIV.
Em diversos momentos dolorosos de guerra e crises internacionais no século passado, a Santa Sé ergueu sua voz ao mundo, como orientadora da verdadeira justiça e da paz entre os homens. Papa Bento XV liderou a Santa Igreja Católica entre 1914 a 1922, e em todo o período da Primeira Guerra Mundial, foi forte opositor do conflito. Em Ubi Primum, Exortação apostólica de Bento XV, de 08 de setembro de 1914, declarou: “Do trono apostólico, volto meu olhar a todo o rebanho do Senhor, que nos foi confiado. O imane espetáculo desta Guerra enche nossos corações de horror e tristeza, ao constatar que grande parte da Europa, devastada por ferro e fogo, é coberta com o sangue dos cristãos”. A Primeira Grande Guerra voltaria a ser fortemente abordada em sua encíclica Ad Beatissimi Apostolorum, e por todo o período do conflito o Papa Bento XV, fez inúmeros apelos pela deposição das armas e o fim das hostilidades. Da mesma maneira procederam o Papa Pio XII, na Segunda Guerra Mundial; o Papa João XXIII, durante a Guerra Fria; São João Paulo II, contra a Guerra do Iraque; Papa Francisco e sua busca por um cessar-fogo na Guerra da Ucrânia e em Gaza.
É dever de todo sacerdote e, antes de tudo, do Papa, buscar a salvação das almas e levar Jesus Cristo aos corações dos homens, isto é, também levando paz e concórdia onde houver contendas. Essa foi, e continua sendo, o firme e corajoso posicionamento do Papa Leão XIV, mesmo com toda a pressão externa vinda dos Estados Unidos da América, verdadeiros promotores de guerras e inabaláveis escudeiros dos judeus do Estado de Israel.
Papa Leão XIV reivindica por paz, e as palavras de seu compatriota e presidente dos EUA, Donald Trump, de maneira totalmente arrogante e desrespeitosa, afirma à respeito de Leão XIV: “É fraco no combate ao crime e péssimo de política externa”. Em um determinado trecho de sua publicação, Trump destacou que “não quer” um papa que “ache normal o Irã ter armas nucleares”. Trump depois de sua infeliz declaração do último dia 7 de abril, ameaçando todo um povo de ser exterminado caso não cedessem ao seu prazo para reabrir o Estreito de Ormuz, e após o Papa ter classificado tal ameaça como “verdadeiramente inaceitável”, novamente voltou-se contra o Santo Padre no dia 12 último. “Não quero um Papa que critique o Presidente dos Estados Unidos”, declarou Trump. No mesmo dia dessa declaração na Truth Social, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial retratando-o como Jesus Cristo. Retratação infame, desrespeitosa e sacrílega!
Por outro lado há o Estado de Israel e seus soldados que nunca perdem tempo quando se trata de profanar e bombardear templos cristãos, como ocorreu em julho de 2025, em Gaza, na Paróquia da Sagrada Família. No bombardeio três pessoas morreram e nove ficaram feridas. Israel afirmou que tratava-se de uma “munição”, mas já o Vaticano declarou que a Igreja foi vítima de um disparo direto de um blindado. O templo católico citado abrigava mais de 500 refugiados. Os defensores de Israel dirão que foi um disparo acidental, ou um caso isolado. Cinicamente são dadas as desculpas mais estapafúrdias para algo que tornou-se comum para os soldados do IDF.
Em outubro de 2023, a Igreja de São Porfírio, templo ortodoxo grego sofreu um ataque aéreo israelense, onde morreram oito pessoas e dezenas ficaram gravemente feridas. Essa Igreja também era refúgio de centenas de palestinos deslocados devido a guerra. Em 9 de outubro de 2024, o IDF realizou mais um ataque aéreo, dessa vez contra a Igreja Católica Melquita de São Jorge, em Derdghaya, sul do Líbano. Oito pessoas foram mortas. A casa do pároco e o escritório foram destruídos. A Igreja era mais outro abrigo para refugiados. E o caso mais recente registrado há dois dias, é de um soldado das Forças de Defesa de Israel, profanando um Crucifixo, no sul do Líbano.
Diante de todos esses ataques e muitos outros que surgem, que são abafados e omitidos, sempre farão notas e darão as desculpas mais vazias que possam imaginar. A guerra naquelas paragens é algo muito complexo, e claro, que o Irã e outros grupos que por sinal perseguem e matam cristãos, não são os mocinhos, e nem muito menos vítimas. As principais vítimas dessa guerra são os cristãos que são chacinados de ambos os lados, as crianças, mulheres, homens e civis, que perderam tudo e que estão sangrando lentamente enquanto houver guerra entre essas nações. Diante disso também não há como negar os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos e Israel. Com o pretexto de lutar pela liberdade e democracia, e barrar o poderio militar dos outros países, estes dois invadem, bombardeiam, e não se importam em reduzir tudo em chamas e cinzas para alcançarem seus objetivos sejam eles claros, controversos, e aqueles outros que ficam nos bastidores.
As palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV, em Camarões, no dia 16 de abril, ficarão para a história dessa marcante primeira metade do século XXI: “Os mestres da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir. Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em assassinatos e devastação, enquanto os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados em lugar nenhum”, e ainda afirmou com grande sensatez que o mundo está “sendo devastado por um punhado de tiranos”.
As mentes já esclarecidas através do estudo lógico e sensato da história desde o fim da Segunda Guerra Mundial, conhecem bem quem são os verdadeiros tiranos e senhores da guerra apontados pelo Santo Padre, o Papa Leão XIV. A arrogância e prepotência de Trump e Vance, é ainda aquela velha tentativa de impor o poder dos homens, do Estado, acima do poder de Deus e das sagradas leis. É César contra Cristo.
Aqui no Brasil, será que os católicos e a direita defenderão e fortalecerão as palavras do representante de Nosso Senhor Jesus Cristo aqui na Terra, ou ficarão ao lado do Estado Judeu Sionista de Israel e seu fiel escudeiro chamado Estados Unidos da América?
Autor: Carlos Ribeiro, colunista e correspondente da Nova Acção no Ceará.

