É evidente o foco do homem moderno, desde o Renascimento, em um conceito de poder com fim em si mesmo. Quando esse desejo se manifesta na individualidade de um ser que não alcança o poder explícito, ele se forja como uma atividade de substituição na interação social. Nela, o outro não é visto como um ser de alma, ordem racional e sentimental, mas como uma ferramenta que supre sua necessidade de poder. Foi nesse momento que o pensamento maquiavélico triunfou. Apesar de Maquiavel ter sido um total fracassado, o mundo é feito, em sua maioria, por fracassados de alma que se espelham em seu pensamento mesquinho.
Ao escrever este texto, minha intenção inicial era desmontar todas as leis de “O Príncipe” e mostrar como elas não refletem a totalidade dos seres humanos, como alguns psicopatas fazem questão de colocar em suas obras. No entanto, como a crítica a essa visão já foi exposta por outros autores (como Robert Greene), resolvi demonstrar a faceta que Nicolau esconde em seu livro ou que não teve a profundidade para desenvolver.
O homem integral é definido pelo equilíbrio de sua alma, seu corpo e seus sentimentos. Já o homem cívico, proposto por Maquiavel, é apenas um espectro de sua época; ele não é eterno. O homem só pode ser orientado primordialmente por sua alma, o que se difere da obra de Nicolau, onde toda a narrativa é material. A corrupção da hierarquia de deveres é a raiz das crises que Maquiavel não consegue observar em seu livro, pois o Estado, como propõe Plínio Salgado, é um organismo espiritual.
Quando o homem moderno alinhar todos esses conceitos, ele se livrará da falsa percepção política, espiritual e humanitária. Se você alcançar uma dessas “salvações”, como consequência, ganhará as outras e estará em busca da formação do homem integral, que destruirá o homem cívico.
Autor: Cainan Nakamoto.